
Meu exmarido testemunhou muitas transformações na minha vida. Estava ao lado dele quando o negócio que tínhamos, primeiramente separados, depois como sócios, deslanchou. Nessa época, amadureci e aprendi a gerenciar um comércio (muito bem, diga-se de passagem). Quando me tornei mãe e tive que aprender a pensar em uma outra pessoa 24 horas por dia. Quando entrei no concurso público que mais me interessava intelectual e financeiramente (E enquanto passava em outros inúmeros). Quando me tornei universitária (Lembro de ligar, chorando, de um orelhão da Rua Maria Antônia, ao assinar a matrícula: ”Deu certo!”). E até aqui estou falando das maiores e mais marcantes. Mas foram muitos anos. Ele se tornou, antes de mais nada, um parceiro. Mas pontos de vistas diferentes foram tornando impossível o nosso convívio. Nos últimos tempos, me senti vivendo com um sócio e não como o homem da minha vida. E eu, para quem a felicidade é o objetivo maior de viver, não podia me manter assim.
Mas eu ainda o quero bem como pessoa. Há muito tempo não tem nada a ver com sexo. Ele acabou se tornando um grande irmão. Conhece todos os meus defeitos e ainda assim me admira. Confesso que isso mexe com o meu ego.
Não me acho uma mulher linda. Sou geniosa. Quando cismo com uma coisa nem o próprio Demo em pessoa, de chifres e tridente na mão me convence que eu não tenho razão. Tenho um péssimo humor, principalmente quando as coisas importantes para mim não dão certo. E mesmo assim sempre houve uma porta aberta se eu quisesse voltar. Mas para mim nunca foi uma possibilidade.
Nós tentamos. E eu tentei tantoooooooooo pelo amor que o meu filho tem por ele.
Mas (como ele mesmo diria) nem tudo são flores. Após a separação, ele teve atitudes, no mínimo, não muito louváveis. Quebrou meu note com ciúme. Adulterou o cabo da minha linha telefônica, o qual ele ligava e desligava dependendo da sua vontade. Roubou meus dois cel e dois dos meus cartões de crédito em ocasiões diferentes, entre outras coisas ....
Recentemente, ao me ver perdidamente apaixonada, ele tentou intimidar o meu namorado na época. E isso foi uma das coisas que mais me irritaram.
E mesmo assim eu tenho tentado mantê-lo perto do filho. Não preciso da justiça (pelo menos, eu acho que não) para lembrá-lo que ele tem compromissos com essa vida que eu tanto prezo. Mais sentimentais que materiais. Sou mulher, o suficiente, para mantê-lo. Mas não posso substituir o pai. Ninguém pode.
Acho que resolvi escrever sobre o assunto porque é fim de ano. Momento de zerar as contas. E eu quero realmente zerar as minhas com ele. Não quero ter o peso da gratidão pela sua amizade dos últimos anos nem mágoa pelos últimos acontecimentos. E se eu vou partir do zero nossa relação de amizade e de pais de uma criança só vai para frente se os dois colaborarem para isso.
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