Estava trabalhando em uma escola pública e meu pagamento estava atrasado em 3 meses.
Por ironia do destino, no último dia de venda do manual, aproximadamente às 16h, descobri que, enfim, meu dinheiro havia caído na C/C. Mas teria que sair correndo para o extinto Banespa. Vacilei por um minuto. Sabia que não estava preparada. Já tinha ido uma vez para a segunda fase e tinha noção do que me aguardava.
Num raro instante, achei que era jogar dinheiro fora. Geralmente penso “É só dinheiro” e o importante é tentar. Mas não fui.
Da primeira vez que prestei FUVEST também tive problemas com dinheiro. Isso faz muito tempo, parece que foi em outra vida. Mas se eu não me engano, a venda ia até uma quarta-feira e a entrega da ficha de inscrição até domingo.
Fiquei com a data da entrega na cabeça como data para comprar o manual. Receberia na sexta-feira e daria tudo certo.
Na manhã de quarta, acordei e tomava café com a tv da cozinha ligada quando ouvi no noticiário que era o prazo final da compra do manual com a ficha de inscrição. Me desesperei. Seria um ano de cursinho jogado fora. Dinheiro, tempo, tudo.
Qual a primeira coisa que eu fiz? Abri a boca a chorar. A segunda foi ligar para a minha mãe para pedir o dinheiro. Ao que ela respondeu: ”Hoje eu não tenho. Acabei de pagar a sua tia um empréstimo que ela me fez.”.
Essa minha tia sempre foi uma segunda mãe. E que falta que ela me faz! Uma das coisas que mais me doem na vida foi ela não ter me visto casada (sonho dela!) nem conhecido o meu filho (e ela amava crianças!).
Pensei rápido e lá fui eu: “Tiaaaaa ...!”. Lembro nitidamente dela falando: “Não estou entendendo nada. O que aconteceu?”. Chorei primeiro e contei depois. Ela disse que compraria o manual para mim no Banespa da Teodoro Sampaio. No domingo, com a cara menos amarrotada, fui lá fazer a inscrição.
Mas voltando, eu estava no banco, agora tinha o dinheiro e não fiz a inscrição. Fiquei triste mas segui o dia. No mesmo ano, com a nota do ENEM ganhei uma bolsa integral para Ciências Econômicas.
O que eu concluo com tudo isso? Tudo!
Primeiro: Alcancei o que não era o meu objetivo principal e isso ainda assim foi excelente.”Todas as coisas cooperam para o meu bem. Mesmo que hoje eu não entenda o porquê”. Prestei ENEM como uma única finalidade e me serviu para outra.
Segundo: Quando as coisas tendem a dar certo, você tem que persistir até o fim. Minha mãe poderia ter pago uma conta e eu não pensaria em pedir pra minha tia. Minha tia poderia não estar em casa nem na tapeçaria ou não poder ir ao banco naquele dia. Eu poderia não ter visto o jornal naquela manhã. Mas o Universo conspirou ao meu favor até o fim.
Terceiro: Acreditar sempre. Sempre acreditei que teria um filho, aprenderia a dirigir, entraria na Universidade. Mesmo quando pareciam só sonhos. Mesmo quando tudo ao meu redor me dizia o contrário.

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