Eu tenho tido uma relação doentia com o “outro”.Nunca entrego totalmente os meus sentimentos. Tenho medo do “até que ponto posso confiar no outro”. Não me abro de verdade pros amigos nem pros amores. Na família, a coisa ainda é pior porque eles se sentem no direito de te condenar e julgar o tempo todo. E fui fake por um tempo por isso. Menti pra ser verdadeira. Criei um personagem pra me expôr, pra entender o porquê de certos medos que me engoliam, pra fugir de uma realidade que me incomodava.
Odeio a exposição. Mas queria tanto me entender. E que me entendessem. Foi quando reaprendi que “todo mundo é inocente até que se prove o contrário”. Porque eu já partia do pressuposto que as pessoas queriam me machucar, prejudicar, me iludir desde o primeiro oi. Me superprotegia porque sei o quanto dói uma decepção. Sei até onde é capaz de ir a crueldade humana.
Tenho (acho que tinha) problemas para demonstrar fragilidade. “Ficar choramingando é para fracos”. Sempre me estipulei um prazo para sofrer. Sei que com o tempo as pessoas se enchem de ouvir as mesmas lamentações. Acham que “a vida continua”. E em parte, eu concordo com isso.
No auge de uma dor profunda, uma amiga me disse que o mundo não para pra você se recuperar. Verdade.
Mesmo assim, sou a maior chorona do mundo. Choro muito mas tento que seja por pouco tempo. Faço qualquer coisa para não permanecer no sofrimento. Muita merda, aliás. Meu mal é o “fazer”. Esperar é um verbo em desuso na minha vida. Saio fazendo qualquer coisa de qualquer forma para tenta resolver.
Costumo enfiar o dedo na ferida porque aquela dorzinha constante é pior. Como se eu pensasse que se doesse tudo de uma vez seria melhor. Até seria. Mas cutucar não significa que vai parar de doer. As minhas nunca pararam assim.
Um amigo citou Maquiável esses dias. “Os fins justificam os meios?”. Não! Mas esse não é unânime? Não sei.
Aprendi muito sendo fake. Sofri bastante também. Porque sendo fake, ouvi de uma pessoa especial uma verdade que servia pra nossa relação “Agora você sabe que a dúvida é sempre pior que uma certeza”. Sempre vou ter a dúvida se foi real. Não era eu. Mas nunca fui tão eu quanto fui com ele.
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