Ontem (terça-feira 05/01) eu estava de bobeira num chat que costumo frequentar e entrou um moço com o nick “Chat só tem mulher feia”. Hilário! Fora o nick “lisonjeiro”, os comentários seguiam a mesma linha. Ele dizia que cortaria um braço se houvesse lá uma mulher que estudasse, trabalhasse, tivesse perspectiva de futuro, fosse bonita, bem resolvida e estivesse com o peso em dia.
Na hora, eu só disse a ele que se sabia o “nível” de mulher que encontraria lá e não estava afim de fazer amigos, tamanha a sua sutileza deveria estar a procura dos meninos. Não sei porque fui imediatamente bloqueada pelo moço.=/
E agora ao começar a escrever fui deduzindo. Não acho que ele encontre essa mulher ai em lugar nenhum. Ela é 100% tudo.
E matematicamente falando um indíviduo é 100% no total. Se for 30% uma coisa, será 70% a outra.
Dá para fazer o melhor possível. E não 100%.
Acho que estou me justificando porque da lista dele não me acho bonita nem estou com o peso em dia. O que posso dizer é que estou melhor que há seis, sete meses atrás. Agora estou fazendo o melhor possível. Estou olhando para mim e refazendo o que não me faz bem, o que eu não curto.
E o legal é que as minhas mudanças de atitude tem surtido efeito. No último domingo, eu estava pilotando um bom fogão quando vi que estava na hora da minha mãe voltar da igreja. Só apaguei o fogo e peguei a chave do carro. Minha mãe disse que uma amiga dela disse que estou cada vez mais bonita (Ainda bem que ela não sentiu o cheiro de churrasco na chapinha, afinal a pobre sobreviveu a 3, nem o de cebola nas minhas mãos xD).
Na segunda, conversei com um aluno de Filosofia e um tatuador, no seu estúdio, que cursa Artes e eles pincelaram algo sobre a Teoria do Belo (com aquela repulsa natural de estudante, of course). Fiquei de procurá-la porque o assunto me interessou muito mas ainda não tive tempo e uma conexão que me estimulasse a procurar qualquer coisa.
Antes de ler a teoria posso falar do que eu sei sobre o assunto. Beleza é estado de espírito. Existem traços clássicos, é óbvio. Aquela beleza unânime ou semiunânime (sempre vai ter uma invejosa de plantão para falar que a Ana Paula Arósio ou a Maria Fernanda Cândido tem alguma imperfeição).
Beleza tem a ver com cuidado. Se você se ama, você se cuida. Irradia uma energia contagiante. Isso é beleza.
O belo é o bem tratado, novo, sem danificações.
Tenho que confessar que tenho amigas muito mais cruéis que eu. Julgam o bonito ou o feio simetricamente e sem perdão. Eu, por exemplo, nunca vi um bebê feio e elas ficam bravas quando eu tento amenizar seus comentários ácidos.
Mas eu realmente tenho me sentido mais bonita porque eu tenho me amado mais. Precisei aprender a me amar para não errar ao amar o outro. Olhar para mim para descobrir a minha humanidade e imaginar melhor como o outro deseja ser tratado, o que espera da vida e o que é realmente importante nesse mundo louco em que vivemos.
2009 foi o ano em que ganhei de presente um espelho. Olhei para mim depois de anos enterrada até o pescoço na função de mãe, filha e num passado mais distante, esposa responsável. Cuidar de todo mundo primeiro era a minha função-mor.
Me cuidar me despertava certa culpa. Me parecia que o tempo que eu deveria estar cuidando dos outros, de inúmeras atividades eu simplesmente DESPERDIÇAVA comigo mesma. Tempo e dinheiro.
Algumas das pessoas mais próximas me olham com estranheza a cada coisa que eu faço por mim. Como se fosse uma competição. Não gosto disso.
2010 é o ano da redescoberta da mulher que eu sou. Sem culpa por ser feliz, bem sucedida, inteligente e linda. Sem ter vergonha de pensar em mim, de ser vaidosa, de me mostrar.
E quanto ao moço do chat e a história de estar com o peso em dia, aí vai um recado: “Sou a prova viva do efeito sanfona. Emagrecer é fácil. Se tornar um homem interessante o suficiente para, mesmo num local pouco provável de vida inteligente, ser lembrado por um bom papo e não por asneiras e grosserias é bem mais difícil.” xD
Amei.
ResponderExcluirsdd suas