Meus olhos queimam... Dormi de lentes de contato mais uma vez. Sabia quais as possíveis complicações e mesmo assim o cansaço me impediu que as retirasse. Apesar de estar com os olhos em brasa, lacrimejando desde a hora que acordei foi a primeira vez que cogitei não usar mais lentes de forma real, apesar disso já ter me acontecido inúmeras outras vezes.
Faço a mesma coisa com a minha vida amorosa. Como 'agente racional/ consumidora que quer maximizar a utilidade' eu sei das possíveis reações para certas atitudes que tomo seguidamente em relações diferentes. Mas, no momento, me parece sempre a única opção, o único caminho a se tomar de frente à exaustão.
Por que eu não evito o que me faz mal? Por que eu tento de novo, da mesma forma se eu tenho um histórico dizendo que não vai dar certo?
Algumas vezes, eu tenho que confessar, é por uma lógica que deixaria no chinelo qualquer superinvenção do Mc Gyver. Exemplo: o último cara com quem me envolvi de verdade, a quem entreguei meus sentimentos, todo mundo que nos conhece veio me dizer que eu não deveria. Principalmente as meninas diziam que eu iria quebrar a cara, que ele iria me trocar por outra em uma semana, ...
Virou um mix de 'Que bom, vou quebrar a cara e poder culpar ele' com 'Posso fazer com que seja diferente'. E foi diferente! Ficamos perdidamente apaixonados e foi uma das coisas mais lindas que eu já vivi.
Num primeiro momento, eu tinha um medo terrível de que os outros tivessem razão. Depois a combinação da minha carência, insegurança, simplificadamente: meu medo e suas variáveis fizeram o trabalho que resultou numa separação de almas.
Pelo menos, a dele se foi. Ainda penso sobre o assunto. Mesmo com a recordação ficando desbotada como foto antiga, ainda penso ...
Em meio às idas e vindas, términos e reatos, ele me pediu duas vezes para deixar de ser 'depressiva'. Eu cultuo a minha depressão. Vira e mexe saio um pouco da minha sala de aula porque aquela 'alegria matinal' me enjoa, me irrita. Mas quando ele falou doeu. Doeu porque era verdade.
Eu estava mergulhada até o último fio de cabelo numa depressão companheira. Mas sei que choramingo demais aos meus queridos, me escondo demais, me fecho demais em relação a algumas coisas também. E até esse comentário parecia que isso era a minha personalidade. Alex me fez ver que era um estado de espírito.
Essa semana resolvi sair do sedentarismo que se tornou a minha vida. Voltei a caminhar (Apesar de alguns amigos dizerem que "'caminhada' é pra 3ª idade"... até pouco tempo atrás tinha tentado voltar para academia. Tentei arrastar a Low junto que até se comportou direitinho. Íamos rigidamente todos os dias. Mas o Tae kwon do, com seus pulinhos, gritinhos e saltinhos, nunca me trariam a paz e a reflexão que 1h, 45 min, no mínimo de caminhada me dão. Apesar da Low dizer q eu salto no Tae como quem faz balé :p). E foi o melhor presente que eu poderia me dar. No máximo arrumo um marido (argh!) na Clélia, um daqueles ninos de agências de automóveis mas enfim ... é isso.
Meus olhos doem. Talvez eu vá ao hospital ...
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