Você já teve um sonho recorrente? Alice, personagem do filme, tinha. Eu tive por anos. Sonhava (ou 'pesadelava') que precisava correr, fugindo de alguém. Corria muito e quando o meu perseguidor quase me alcançava eu fazia força para acordar com medo.
Li algumas coisas sobre o assunto e basicamente a interpretação era de que eu fugia de algo acordada, uma situação que eu deixava de enfrentar e isso se refletia nos sonhos.
Na verdade, não era só uma fuga. Era quase uma corrida de obstáculos. Eu pulava muros, driblava uma série de coisas pelo caminho.
Faz anos que eu não tenho mais esse tipo de sonho. Não tenho guardado os lugares que vou enquanto durmo.
Lembrei disso porque ontem chegou aqui uma publicação da Unesp Ciência e sua capa traz a seguinte manchete: "'A Física da Economia' Teorias clássicas das finanças falham em evitar crises, e cientistas buscam modelos para prevê-las nas ciências naturais". Sempre pensei que me tornaria uma matemática e foi justamente a Física que me fez me voltar para Economia. Agora a maldita Física quer vir explicar as ciências econômicas também? E os fisiocratas, Malthus, Smith, Ricardo, Marx,...? =/
Na segunda fase da primeira vez que prestei Fuvest bombei em Física. E eu não fui sanar as minhas dúvidas sobre o assunto, eu fugi. Como no sonho. E talvez eu fugisse para o resto da vida. Só que a vida sempre faz questão de me colocar de frente ao mesmo problema até eu superá-los.
É assim com os meus relacionamentos pessoais. As pessoas me incomodam e se mostram incomodadas no mesmo ponto porque continuamos agindo da mesma forma (normalmente fugindo). É como se a partir dali eu só tivesse duas opções: parar ou encontrar outra saída, fora a habitual.
Não sei se falei sobre os caminhos de Alice no filme. Ela sempre se via de frente a uma bifurcação, sempre tinha que optar por um caminho sem saber ao certo onde ia dar.
Não li a reportagem ainda mas tenho certeza que é disso que ela fala. Projeções mostram caminhos que talvez não sejam os reais. Mas são baseados no comportamento típico do mercado. Só que bens de Giffen, monopólios, cartéis, por exemplo, são anomalias no funcionamento do mercado.
Mas voltando a minha querida Física ... Tão querida quanto alguns professores (Ironia nos lábios e nos dedos das minhas amigas soam bem melhor). A Física me fez lembrar que, como nos meus sonhos, fugir não resolve. Meus problemas continuarão a existir mesmo que eu os ignore, mesmo que eu opte por outra carreira ou por outro namorado. Eu preciso aprender onde eu estou errando e encarar todo e qualquer desafio de frente. Seja um exercício de mecânica ou óptica, seja numa conversa onde eu deveria abrir os meus sentimentos reais.
Problemas não resolvidos são como a água que nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna. E não basta ignorá-los, eles ressurgirão até serem resolvidos.
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