É dia das mães! E como daqui a uma hora mais ou menos estarei indo trabalhar digamos que eu antecipei as comemorações do dia de hoje. Ontem cedo, antes de ir pra aula, deixei a minha mãe onde se encontraria com o pessoal da Igreja dela para um café num lugar bacana. E enquanto ela provava sabores e aromas, eu calcula algumas derivadas. Coisa básica até desde que eu não me recorde que a única coisa que eu tinha comido foi um croissant que me deu azia.
Ia pegar meu filho no caminho com o pai dele e levá-lo ao cinema. Mas planos são apenas esperança de um futuro incerto. Não achei nenhum filme infantil em cartaz e desisti completamente de levá-lo para ver 'Alice no País das Maravilhas' do Tim Burton (diretor do filme), depois de analisar e discutir com amigos que qualquer leitura infantil como a de Walt Disney desmerecia e descaracterizaria o livro e que qualquer leitura adequada não seria absorvida por uma criança.
Resolvi passar (pausa porque o Caio acordou, avistou da cama a caixa de lápis de cor que compramos ontem no supermercado e já quer pintar. Detalhe são 6:12 da manhã)... Retomando: Resolvi passar em casa, tomar um banho e repensarmos o que faríamos já que cinema não era mais uma opção. Enquanto me trocava minha mãe chegou e fomos nós quatro almoçar. Lembrei de uma churrascaria rodízio que (pasmem!) apesar dela custar, por pessoa, quase cinco vezes meu gasto díário com almoço, nunca tinha conseguido entrar por causa do tamanho da fila. Hoje é o típico dia de se ter pena de quem pretende almoçar lá. Fila de espera de 3, 4 horas.
Mas valeu a pena. O ambiente é agradabílissimo, a comida é excelente e todo mundo adorou. O Caio ficou extasiado com o aquário de lá como ele fica com vários outros. Eu sempre adorei aquários. Só deixei de ter um em casa desde que engravidei dele. Como eu tinha que lavar e cuidar dos peixes e na gestação eu não tolerava o cheiro, distribuí os peixes e desmontei o aquário.
Fora o fascínio por peixes ornamentais meu filho 'herdou' de mim o gênio 'dificil', o excesso de vontades, a determinação (determinação de, às vezes, torrar o saco alheio). E foi observando o que a gente tem de incomum hoje que fui às lágrimas.
Meu filho na última semana voltou a fazer xixi na roupa. Nem ia ao banheiro sozinho, nem pedia e, muitas vezes, nem levado queria usar o banheiro. Lembro claramente de ter pedido pra minha mãe pra que não repetisse porque era um assunto que eu só resolveria pós provas, ou seja, à partir de sabádo.
Mas a culpa (a mesma culpa por todos os problemas humanos que minha querida amiga Bárbara me disse que eu carrego nessa mesma semana), a culpa estava me matando. Me questionava entre uma leitura e outra, entre um dos milhares cálculos e fórmulas as quais fui apresentada essa semana:"Que merda de mãe sou eu?". Não consigo dar conta COM EXCELÊNCIA de tudo que eu me proponho a fazer. Só me dou conta que estou num caminho bacana quando comparativamente alguém me diz que vive a mesma situação.
E essa culpa me levou a mesmo sabendo que eu provavelmente perderia a noite de sono, na sexta-feira pegar o carro e ir no Habib's (se não o mais perto, o mais perto que tinha brinquedos como piscina de bolinhas, barco viking e escalada). O Caio estava mais sorridente porque entre me trocar e sair de casa eu ia descrevendo pro pai dele o que estava acontecendo e pedindo mais paciência e atenção de todos com o meu filho. E a minha forma de 'dar o recado' nem sempre é a mais sutil (E eu e a May concordamos que dar uma de louca é preciso e que enquanto surtir efeito não tem coisa melhor a se fazer).
Meu filho está visivelmente melhor e eu também por consequência. Voltou a usar o banheiro normalmente, a brincar e a sorrir.
E eu só resolvi escrever esse post por duas razões: Porque estou nitidamente emocionada por um momento de interpretação dúbia com um ser querido, pensando 'O que é que ele quis dizer com aquilo?' e, o maior deles, porque depois do rodízio passamos pelo mercado e eu conversando com a minha mãe ouvi dela que... "Lembra de como você me cobrava atenção? Como reclamava que eu não tinha tempo para ir nas coisas da escola ou com você procurar emprego?". E sim, eu me lembro perfeitamente. Isso aconteceu até uns 15 anos. Eu sentia uma falta enorme dela e cobrava escancaradamente. Eu a amava e só queria que ela participasse mais da minha vida.
Hoje consigo ver o quanto essa cobrança era cruel. Até porque ela também se lembra disso até hoje. Doeu em nós duas. E essa reflexão cai naquela frase que pode até parecer clichê de que você só compreende os seus pais quando também se torna pai.
Minha mãe precisava sozinha terminar a obra de uma casa, criar dois filhos pequenos e meu irmão com alguns problemas de saúde, trabalhar para nos manter e ainda e mais importante ajudar a construir o nosso caráter. Ela fez o melhor que pode sempre. NUNCA nos deixou com ninguém para ir para uma festa, balada, evento... Sair para ela sempre signicou sair com a gente.
Quando meu filho nasceu, meu primeiro dia das mães dei à ela flores com um cartão em que escrevi algo sobre isso: No primeiro dia em que eu fiquei sozinha com o meu filho, ele devia ter aproximadamente um mês. O Caio engasgou com o leite que havia mamado, por causa de um refluxo tratado posteriormente e fomos parar no hospital.
Com aquele bebezinho nos braços, vi o tamanho da dor que é estar sozinha e ver seu filho amado em perigo de vida.
Nesse dia eu tinha uns 800 reais em casa e lembro de ter enfiado no carrinho com celular e documentos quando sai para pedir socorro no posto de saúde. De lá nos levaram para o hospital e até o meu filho ficar bem eu nem me lembrava nem queria me lembrar onde eu havia deixado o tal carrinho. Nada no mundo era mais importante que o bem estar do meu filho. Nada.
Lembro também de no final da tarde depois de uma bateria de exames estar com a minha roupa molhada, sem blusa num dia frio, chegar em casa de táxi sem dinheiro porque eu não sabia mais por onde andavam as minhas coisas e desabar de chorar quando eu contei tudo para a minha mãe e ela me abraçou.
Ser mãe é isso. É sofrer pelos filhos, é sorrir quando eles estão bem, é fazer o máximo que você pode em todos os sentidos e saber que é sempre pouco, saber que eles precisam demais e se culpar por isso. Ser mãe é amar sem a certeza de que será amada, injustiçada muitas vezes, pelos próprios filhos e pelas próprias cobranças. Mas na minha vida ser mãe é o que dá sentido a minha existência, é o que me dá forças para continuar, é o que aumenta em progessão aritmética a minha determinação por ser e fazer feliz. Só desejo a todas as mães amorosas, guerreiras, não as parideiras que apenas botam no mundo mas as mulheres de fibras que tentam com todas as suas forças que seus filhos se tornem pessoas de bem e felizes, desejo apenas um FELIZ DIA DAS MÃES!
P.S.:(9:04) No caminho, saindo da estação de trem vi uma mãe que se ajoelhava em frente ao seu filho de uns 3 ou 4 anos para lhe assoar o nariz. Ser mãe é isso ... É se pôr à altura dos filhos para ajudá-los. xD
Nenhum comentário:
Postar um comentário