quinta-feira, 13 de maio de 2010

100%

Sou do tempo do 100%. Do tempo em que OU se era bonita ou inteligente. Ou mãe dedicada ou profissional de sucesso.
Mas hoje você tem que ser 100% tudo. E eu ainda tento ser 100% qualquer coisa.
Sofro porque não consigo resolver essa equação óbvia: 'Como ser 100% TUDO?'.
Isso somado ao que eu chamo de 'visão de atiradora de elite' (e que a 'plebe' chama de foco, simplesmente xD) me fazem quase surtar.
Vivo num mundo 'chapado'. minha visão é como a das salas de cinema tradicionais. Dois exemplos recentes:
1) Essa semana há uma série de palestras na universidade e eu não sabia que, até conhecia o prédio que eu precisava ir.
Parei de frente a ele e perguntei para uns guris se era ali mesmo. Saí procurando as meninas e voltei. Beto estava sentado e disse: 'Queria ver quanto tempo você demoraria para e ver aqui'.
2) Faço DIARIAMENTE o mesmo percurso há, aproximadamente, dois anos. Uso o tempo no transporte público para tudo: comer, estudar, tirar esmalte, ler, escrever (como agora), falar no cel, ...
NUNCA tinha reparado nos prédios pelos quais passo. Hoje foi como se um mundo em 3D se abrisse para mim.

Vivo entre um passado que eu não esqueço e um futuro que eu busco com todas as minhas forças. Ou seja, sempre no tempo ERRADO.
Vive-se o hoje, o PRESENTE. E eu gosto muito de um pensamento que diz que o presente é uma dádiva (def. Coisa oferecida a alguém. = dádiva, mimo, oferta, prenda).
Eu sei onde estivesse e onde quero estar mas nunca onde estou agora. Não vi o Beto naquele dia porque eu só me via na palestra que ia assistir.
Da mesma forma que eu não vi o caminho ou a árvore linda que a Thata descobriu em meio ao concreto ou qualquer outra manifestação da vida.

Ajo como um míssil teleguiado e por isso tenho tantos problemas com os 'kinder ovos' (pra usar a expressão do Fábio).
Sou avessa ao desconhecido,ao que não sei como lidar ou em que vai dar.
Tendo (de tendência) à rotina, à repetição, à mesmice. E como eu sei o quão chato isso pode ser, costumo reagir de forma contrária à maioria, ao que as pessoas esperam de mim. Odeio ser mais uma.
E isso é comumente rotulado de 'loucura'. O que é a loucura, senão, uma resposta inadequada a certas convenções?
Todo médio e grande amigo, um dia, já me chamou de louca. Ao que eu tenho orgasmos mentais em resposta. Nunca tive a pretensão de ser normal, ser medíocre, estar na média.

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