terça-feira, 13 de abril de 2010

Eu quero um jardim e não um vaso de flores ...


Sou uma mulher à beira de um ataque de nervos. Por vezes, tenho tentado eliminar o que me incomoda mas a minha sobrecarga de responsabilidades e o medo de não atingir resultados satisfatórios em todos os setores da minha vida vão me enlouquecer. Desde sábado, já citei isso algumas vezes para amigos porque o episódio realmente me fez parar para pensar. Dei uma carona para uma amiga e ela precisava passar no mercado superlotado como todo fim de semana próximo ao pagamento. Fiquei no estacionamento, fora do carro pra que ela visse onde eu tinha estacionado já que para aglizar eu tinha pedido à ela que descesse enquanto eu procurava uma vaga. Foi quando encontrei um amigo de cursinho. Um fofo. Perguntei da vida, o que vinha fazendo e ele me disse que estava cursando o curso no qual entrou no ano em que estudamos. Achei que tinha entendido errado afinal são 7 anos!
Me espantei porque sou ansiosa demais. Estou sofrendo e cultivo um pensamento diário que preciso pegar mais matérias nos próximos semestres para 'acertar' o passo pelo semestre passado perdido pela avalanche de problemas pelos quais passei. Até esse dia era quase que uma idéia fixa. Juro que a ideia de um simples mortal próximo passar pelos meus problemas, de certa forma, que eu me fez relaxar. E quantos milhões de universitários trancam suas matrículas diariamente? Quantas pessoas simplesmente desistem por falta de dinheiro, de tempo, de paciência ou de perspectiva?
Como sempre o que me faz sofrer é o meu alto índice de exigência comigo mesma. Me maltrato demais com ela. Eu TENHO que ser a melhor, eu TENHO que cuidar das pessoas que eu amo, eu TENHO que saldar minhas contas, eu TENHO que estudar mais, eu TENHO prazos para ganhar mais, comprar uma casa, um carro, ...
A ansiedade vem me consumindo e eu tenho me tornado um poço profundo de reclamações. Vario entre um bom humor temporário e uma rabugice também sem profundidade. Mas eu ainda achava que tinha uma rede de proteção (amigos, família, amigos que são mais que família rs*). Mas esses dias vi um furo enorme nessa 'rede'. Me conheço e sempre trato as pessoas como eu gostaria de ser tratada. Mesmo quando erro, foi tentando acertar. Só que quando muitas pessoas próximas acham que a sua forma de agir está errada você a repensa. "É impossível que eu seja a única certa". Juro que me revi de todos os ângulos e vi que, se errei meu erro não foi maior que a confiança e carinho que depositei. Me doei a pessoas que não olharam para mim. Fui translúcida, transparente. Relatei coisas que eu tinha medo de relatar até pra mim mesma, sozinha, num quarto escuro.
Me senti traída no ponto mais fundo da minha alma. Trocada por um script de mentiras repetidas a qualquer uma.
Tive uma crise de ansiedade séria porque exatamente TUDO que eu mais quero no mundo demanda certo tempo para realização. Conclusão do curso, a minha tão sonhada mudança, entre outras coisas de igual importância para mim.
E esse tempo de maturação (e não é uma espera tranquila não... tenho vencido uma batalha atrás da outra na relação comigo mesma e com o mundo) tem me deixado tensa.

A vida tem me ensinado que a visão que eu tenho de que as pessoas que conheço e que se aproximam de mim tornam-se parte do jardim que é a minha vida só serve para mim mesma. A massa acredita que as pessoas que passam pelas suas vidas são como as flores dos vasos. Lindas e com o mesmo perfume que invade a casa. Mas sem raiz. Após certo tempo, o aroma acaba, as folhas murcham e chega a hora delas partirem ... para o lixo! =/

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