terça-feira, 25 de maio de 2010

Só agora acabou

Desligar-se. Da empresa, do amor, do mundo. Das lembranças, do passado, do futuro sonhado. Apagar. Deletar.
Não consigo. Não quero. Não posso.
Porque, talvez, eu encare essas imagens, histórias & afins como grandes companheiras. Como o caminho mais curto para o sorriso saudoso.
Nunca vou esquecer uma amiga com quem, algumas vezes, tive que ser mais dura. A vontade que eu tinha era de sacudi-la para ver se ela via a realidade que a cercava. A forma como estava deixando sua vida passar esperando por alguém que estava numa posição confortabilíssima e que eu, particularmente, não via a menor necessidade de mudança.
A resposta dela para o meu questionamento foi: ”Às vezes, tudo o que você tem é uma ilusão para se segurar no grande dilúvio que a sua vida pode ser”
O problema é que eu sempre estou atrás de terras secas para descansar meu corpo cansado de nadar. Eu sempre acredito que vai dar. Sempre vejo o copo meio cheio.
Mas o momento de otimismo acabou. Continua chovendo. Meus braços estão esgotados. Só preciso soltar o corpo, me deixar afundar. Sentir a água encher minhas narinas, invadir meus pulmões. Ver meu corpo desfalecer. Não deu. Eu tentei.

No cardápio

Tenho sentimentos estranhos por pessoas diferentes e não sei como defini-los. Tentando comparar com algo que eu entenda só achei uma comparação ‘razoável’. Razoável para eu entender, pelo menos.
Tenho me sentido como numa churrascaria rodízio. Vou lá pela picanha no alho, isso é fato. Mas a fome, o cansaço e a espera me fazem provar a calabresa apimentada e outros tipos de assados.
Não sei se deveria esperar. Sou louca pelo seu gosto. Se fechar os olhos sou capaz de sentir de novo a textura, o cheiro e o sabor único.
Sei dos malefícios de comer demais. Não quero sair sem provar de novo o gostinho de céu.
Não sei se o maior problema é realmente a minha gula ou o medo de a minha picanha não estar no cardápio do dia.

(Reflexão tosca de uma pessoa que está trabalhando sem net, sem almoço às 13:40 de um domingo tsc tsc tsc xD)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nice to meet you!

Tá frio aqui... Vou pegar uma blusa. Tô pensando sobre o que escrever. Minha mão com unhas longas esmaltadas de verde-abacate cobrem minha boca a cada vez que eu paro de digitar por um tempo. A linguagem corporal diria que eu quero conter as palavras, quero falar mas tenho medo. Maybe.
Voltei a fazer inglês depois de anos. Ficava na minha lista de pendências junto com fazer dieta, procurar informação sobre uma ação que movo contra uma empresa, pôr silicone, incorporar uma atividade física à minha rotina,...
Mas o curso já está ok. Comecei na última quarta. Estava cansadinha e precisava de uma boa novidade. Sou movida a elas.
Ontem mesmo, Ana disse que eu sou a consumista do nosso grupo e eu venho aqui me defender. É fato, eu consumo de forma quase compulsiva. Mas a verdade é que eu preciso da novidade, agregar coisas diferentes a minha realidade. Na falta de 'coisa' melhor, eu compro. E uma compra me dá uma satisfação similar a (ao menos tão bom que...) ter um novo namorado, um novo emprego, um novo amigo, fazer um novo curso ou qualquer outra coisa seguida do mesmo adjetivo.
Sou melhor enquanto estudo. Só que a conclusão é demorada e requer certo esforço. As aulas vão se complicando e vão passar a fazer 'parte integrante' da minha rotina. Sei da necessidade de conclui-lo e, talvez, eu realmente o conclua. Mas quando se tornar massante, eu posso mudar de unidade, de escola, arrumar um professor particular. São opções.
A maior novidade, no entanto, é a minha atual resolução de repensar a vida sozinha. Me autoanalisando noto que não estou preparada para cuidar de mais ninguém. Já tenho meu filho pelo qual nessa semana bateu um momento de culpa pelo fato da minha aula ser noturna e isso me impedir de pegá-lo acordado nesse dia da semana. No dia da matrícula, cheguei em casa, tomei um banho e fui pegá-lo na cama da minha mãe. Dá uma culpa, deixá-lo. Lembro do quanto chorei no primeiro dia que fui trabalhar depois que ele nasceu. comecei a chorar na véspera e durante o dia meus olhos marejavam o tempo todo. Uma sensação de impotência.
Dessa vez, a sensação foi diferente. Pensei:'Estou buscando uma vida futura melhor para nós dois. Privá-lo da minha cia hoje é para no futuro poder oferecer além de cia de uma pessoa mais realizada e consequentemente mais feliz, um futuro sócio-econômico melhor'. Talvez ele entenda.
Mas quanto ao relacionamento amoroso. Ter alguém dispende um cuidado que hoje, talvez, eu não tenha o tempo necessário. Sei que apaixonada você (ou pelo menos eu) esquece prioridades, faz literais loucuras. Mas nesse momento quero me dedicar efetivamente a uma nova carreira, a minha graduação, ao meu filho e família.
Porque o que a maioria das pessoas esquece é que um relacionamento se faz como uma rua de mão dupla. Afeto, cuidado, carinho tem que ir e vir, circular por ambas as mãos. O outro merece o mesmo apoio e respeito para sua vida, projetos & afins que eu busco.
Em se tratando de respeito (apesar das falas hiperpreconceituosas quanto a outras carreiras, por exemplo, nas manhãs de aula), tenho me posto cada dia mais no lugar do outro para entender suas opções. E tem me sido um ótimo exercício. É cansativo tentar impôr o padrão 'Eu' de ser. Uma certa nação imperialista não deve pensar assim xD.
Esse meu momento é especial porque tenho bem nítido ainda as coisas que eu fiz como filha e visualizo o que tenho e terei que fazer como mãe. Não tem ninguém errado na história. Como filha, por incrível que pareça, meu maior objetivo nunca foi o de perturbar minha mãe até o seu limite. E sim o de descobrir a vida, o mundo e o meu espaço nele.
Hoje eu tenho o meu espaço e um caminho a percorrer. Sei que preciso de alguém para compartilhar a viagem. O caminho fica mais leve quando se tem alguém para ouvir suas piadas ou secar as suas lágrimas, alguém para parar na trilha a noite e fazer amor na mata, alguém para carregar a sua mochila quando ela parecer pesada demais ou por quem você vai subir numa árvore para colher um fruto maduro. Alguém. Quem?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lembranças

Eu sentada na fogueira do Kazebre. A casa da Aninha na Vila Progresso. Os beijos dentro do Uno vermelho. Acampar. Show dos Travessos com a Sandy. E todas as viagens da gente na truppie pagodeira. O Lelo. Chorar ouvindo Sem Compromisso, Pitty, Catedral, Crawberries, ... O Dirceu dormindo na minha casa enquanto a minha mãe viajava. (Será que dá pra contar todas as vezes que pensei nele? Duvido!rs*). Quermesse no XV. Pegar o primo do meu primo às escondidas. Tomar vinho na calçada. Falar besteira com o bobão do Rincon, que eu adoro, no portão (no meu ou no dele). Lotar o fusquinha do Bibi de mulher (Enquanto ele me apresentava amigos bonitinhos e as minhas amigas diziam 'nãos' nem tão sutis assim pra ele =/). Voltar pra casa do bar de rock num fusca lotado de gente que eu nunca vi. Dormir na casa de gente que eu nunca vi. Deixar a Li me esperando até amanhecer porque eu fui ali conversar. Rir até LITERALMENTE fazer xixi na calça com as Kellys. Fazer promessa de ficar um mês sem comer chocolate pra beijar alguém, beijar esse alguém dois dias depois da promessa e não me arrepender nem por um minuto nos demais 28 dias. Esvaziar um carro cheio de mulheres pra empurrar o carro da Wanda que resolveu quebrar em meio à Praça Silvio Romero lotada. A gente dançando axé nas festas (semanais) na casa da Catarina. A gente dançando axé em qualquer lugar. Os shows no parque do Carmo. As excursões da Profª Zenaide para os programas do SBT (Nunca peguei uma nota arremessada pelo Silvio Santos =/). A EBF. As idas à casa da tia Alaides e todas as viagens, casamentos, aniversários, festas e mais festas que a minha segunda mãe sempre nos pressionou a ir e que depois a gente curtia pra caramba. E o tio que NUNCA perguntava o caminho independente do tempo que estivéssemos perdidos. A casa da véinha (kkkkkkkkkkkkkk que a tia assustava o Ri anos depois). A cara do Ricardo quando eu o assustava (a melhor:'Drogarias vendem drogas. Ou seja, farmacêuticos são todos marginais)e a vontade de esganá-lo quando eu queria sair e ele vinha junto. Esperar a minha mãe na Penha porque a gente ia comprar roupas e sapatos. Cabular aula e ficar de papo na escada do posto de saúde. Todos os bares de rock por quais eu já passei. O primeiro, em frente à universidade, que eu ia com o meu namorado da 8ª série (isso foi nessa vida mesmo? kkkkkkkkkkkkkk). Sentar pra conversar no tronco de árvore que servia de banco, onde era a chácara da esquina. Descer a rua na minha Caloi vermelha mesmo quando ela já era pequena. Aposta de quem pegava o menino novo no colégio que, I'm sorry girls, não saia da minha casa. Jogar Atari com ele. Jogar Atari (e ponto). (Eu tinha 'medo' do tênis do Atari. Nunca vi um jogo tão mal feito). As coleções de papéis de carta das meninas. Comprar roupa nova para todo e qualquer fim de semana. Meu primeiro emprego. Meu primeiro pagamento.

Aiiiiiiiiiiiiii eu vivi ... Eu vivo rs*. Mas a lista ai tem um gosto todo especial e lembrar dessas pessoas que me amam tanto, que cuidaram de mim, com as quais eu fui tão feliz me deu um gás todo especial nessa tarde fria de sexta (niver das lokas: Sandy e Low) xD

Não adianta fugir ... Eles vão te pegar

Você já teve um sonho recorrente? Alice, personagem do filme, tinha. Eu tive por anos. Sonhava (ou 'pesadelava') que precisava correr, fugindo de alguém. Corria muito e quando o meu perseguidor quase me alcançava eu fazia força para acordar com medo.
Li algumas coisas sobre o assunto e basicamente a interpretação era de que eu fugia de algo acordada, uma situação que eu deixava de enfrentar e isso se refletia nos sonhos.
Na verdade, não era só uma fuga. Era quase uma corrida de obstáculos. Eu pulava muros, driblava uma série de coisas pelo caminho.
Faz anos que eu não tenho mais esse tipo de sonho. Não tenho guardado os lugares que vou enquanto durmo.
Lembrei disso porque ontem chegou aqui uma publicação da Unesp Ciência e sua capa traz a seguinte manchete: "'A Física da Economia' Teorias clássicas das finanças falham em evitar crises, e cientistas buscam modelos para prevê-las nas ciências naturais". Sempre pensei que me tornaria uma matemática e foi justamente a Física que me fez me voltar para Economia. Agora a maldita Física quer vir explicar as ciências econômicas também? E os fisiocratas, Malthus, Smith, Ricardo, Marx,...? =/
Na segunda fase da primeira vez que prestei Fuvest bombei em Física. E eu não fui sanar as minhas dúvidas sobre o assunto, eu fugi. Como no sonho. E talvez eu fugisse para o resto da vida. Só que a vida sempre faz questão de me colocar de frente ao mesmo problema até eu superá-los.
É assim com os meus relacionamentos pessoais. As pessoas me incomodam e se mostram incomodadas no mesmo ponto porque continuamos agindo da mesma forma (normalmente fugindo). É como se a partir dali eu só tivesse duas opções: parar ou encontrar outra saída, fora a habitual.
Não sei se falei sobre os caminhos de Alice no filme. Ela sempre se via de frente a uma bifurcação, sempre tinha que optar por um caminho sem saber ao certo onde ia dar.
Não li a reportagem ainda mas tenho certeza que é disso que ela fala. Projeções mostram caminhos que talvez não sejam os reais. Mas são baseados no comportamento típico do mercado. Só que bens de Giffen, monopólios, cartéis, por exemplo, são anomalias no funcionamento do mercado.
Mas voltando a minha querida Física ... Tão querida quanto alguns professores (Ironia nos lábios e nos dedos das minhas amigas soam bem melhor). A Física me fez lembrar que, como nos meus sonhos, fugir não resolve. Meus problemas continuarão a existir mesmo que eu os ignore, mesmo que eu opte por outra carreira ou por outro namorado. Eu preciso aprender onde eu estou errando e encarar todo e qualquer desafio de frente. Seja um exercício de mecânica ou óptica, seja numa conversa onde eu deveria abrir os meus sentimentos reais.
Problemas não resolvidos são como a água que nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna. E não basta ignorá-los, eles ressurgirão até serem resolvidos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

100%

Sou do tempo do 100%. Do tempo em que OU se era bonita ou inteligente. Ou mãe dedicada ou profissional de sucesso.
Mas hoje você tem que ser 100% tudo. E eu ainda tento ser 100% qualquer coisa.
Sofro porque não consigo resolver essa equação óbvia: 'Como ser 100% TUDO?'.
Isso somado ao que eu chamo de 'visão de atiradora de elite' (e que a 'plebe' chama de foco, simplesmente xD) me fazem quase surtar.
Vivo num mundo 'chapado'. minha visão é como a das salas de cinema tradicionais. Dois exemplos recentes:
1) Essa semana há uma série de palestras na universidade e eu não sabia que, até conhecia o prédio que eu precisava ir.
Parei de frente a ele e perguntei para uns guris se era ali mesmo. Saí procurando as meninas e voltei. Beto estava sentado e disse: 'Queria ver quanto tempo você demoraria para e ver aqui'.
2) Faço DIARIAMENTE o mesmo percurso há, aproximadamente, dois anos. Uso o tempo no transporte público para tudo: comer, estudar, tirar esmalte, ler, escrever (como agora), falar no cel, ...
NUNCA tinha reparado nos prédios pelos quais passo. Hoje foi como se um mundo em 3D se abrisse para mim.

Vivo entre um passado que eu não esqueço e um futuro que eu busco com todas as minhas forças. Ou seja, sempre no tempo ERRADO.
Vive-se o hoje, o PRESENTE. E eu gosto muito de um pensamento que diz que o presente é uma dádiva (def. Coisa oferecida a alguém. = dádiva, mimo, oferta, prenda).
Eu sei onde estivesse e onde quero estar mas nunca onde estou agora. Não vi o Beto naquele dia porque eu só me via na palestra que ia assistir.
Da mesma forma que eu não vi o caminho ou a árvore linda que a Thata descobriu em meio ao concreto ou qualquer outra manifestação da vida.

Ajo como um míssil teleguiado e por isso tenho tantos problemas com os 'kinder ovos' (pra usar a expressão do Fábio).
Sou avessa ao desconhecido,ao que não sei como lidar ou em que vai dar.
Tendo (de tendência) à rotina, à repetição, à mesmice. E como eu sei o quão chato isso pode ser, costumo reagir de forma contrária à maioria, ao que as pessoas esperam de mim. Odeio ser mais uma.
E isso é comumente rotulado de 'loucura'. O que é a loucura, senão, uma resposta inadequada a certas convenções?
Todo médio e grande amigo, um dia, já me chamou de louca. Ao que eu tenho orgasmos mentais em resposta. Nunca tive a pretensão de ser normal, ser medíocre, estar na média.

Parafraseando Alexandre Pires (Não me ame!)

Ando cansada de ter quem goste de mim. Quem gosta e briga, gosta e me deixa, gosta e não está aqui. Quero alguém que cuide concretamente de mim. Não quero um relacionamento, com título, honraria e pompa. Quero presença e contância.
Como na música "Você precisa de alguém que te dê segurança, senão você dança".
SÓ alguém pra chamar de meu, com quem eu me preocupar (como se eu não fizesse isso com todo e qualquer ser vivente), alguém pra quem eu reclamar, rir ou esperar pra contar aquela história fantástica.
Existem bilhões de seres e é impossível que ninguém mais pense assim. Tirando os enganos do caminho, ainda acredito que seja possível.
Até porque diante de tanto 'amor' e um vazio de mesma proporção, a cada dia que passa a frase da Low, tirada do funk me parece cada vez mais convidativa "Acabou o namoro, viva a putaria!" xD