Ontem fomos assistir "Alice no País das Maravilhas" entre uma palestra e outra, as quais me renderam 14 horas dentro e nas imediações da universidade.
Já pensando em assistir o filme falei com amigos que leram o livro original e assisti a versão Disney (que sempre perde em conteúdo mas como eu disse antes que a 'massa' identifica como original e que fica corrompido em qualquer outra versão) porque eu não sei se conhecia a história.
Com uma professora querida que leu o livro vi que a história tem toda uma análise psicológica que me encantou.
Assistindo o filme (que como qualquer outro é 'contaminado' para o bem e para o mal pela leitura de roteiristas, atores e diretores) é nítido o primeiro dilema: a questão do tamanho da Alice. Ser grande ou pequena demais para enfrentar as situações. Tem todo um conflito pessoal simbolizado ali.
Sou Alice (na verdade, não porque afinal ela só realmente encontra o seu 'tamanho' adequado quando consegue dizer precisamente quem ela é). Tenho os meus dilemas. Me sinto 'grande demais' sexual e profissionalmente. Sou agressiva em ambos. Sei o que quero, como eu quero e o que fazer para chegar aos meus objetivos. E muitas vezes uso dose de elefante para matar formiga.
Já 'emocionalmente' sempre me sinto 'pequena' demais. Sou ciumenta demais (e o que é ciúmes senão medo de perder?), sou insegura demais. Tenho medo de relacionamentos (frase da Low), medo de ser traída, trocada, de amar sozinha e eu me perco nesses medos toda vez que chego perto de alguém que vai se tornando especial.
Outro ponto pessoal é que, nos últimos anos, nunca estive na minha avaliação com o cabelo ideal, o corpo ideal, o peso ideal. Engraçado que, no momento posterior, eu me amo no passado.
O filme tem outro ponto interessante: a lagarta. A cena em que o casulo da lagarta se fecha e é o fim da lagarta é como uma despedida. Absolon não estará mais com Alice. Não como ela o conhece. Ele vai deixar de ser lagarta e se torna uma linda borboleta azul. Transformação.
Tem a parte em que ela luta com o monstro também. Um monstro que ela se recusa a enfrentar e que ninguém mais pode. A batalha é pessoal. E qual dos nossos problemas outro pode resolver?
Mas Alice ... Nesse filme, o dilema dela é casar e fazer o que as pessoas ao redor esperam ou correr atrás dos próprios sonhos. E como no final da ficção sempre acaba com 'e todos viveram felizes para sempre', ela não foge a regra.
Teria assunto para um livro. Cada um dos personagens que ela encontra pelo caminho tem um porquê de estar ali. Mas só posso recomendar, sim, vejam o filme. Eu gostei muito xD.
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