domingo, 20 de junho de 2010

Ambicionando

Creio eu que se as pessoas mais próximas de mim tivessem que me definir em uma palavra seria: ambição. Brinco que meu casamento acabou porque meu exmarido peca contra ela e isso deveria ser um pecado capital, o fato de não se ambicionar mais que uma aposentadoria e uma casa no campo para se desfrutar a própria velhice.
Uma das coisas que mais me irritam na vida é quando eu divago sobre as minhas pretensõoes e alguém conclui com "Se Deus quiser". Tirem Deus disso. Na minha visão "diferenciada" de Deus, o vejo como a força que te impulsiona para o seu paraíso pessoal. Ele te impulsiona e não te empurra por todo o caminho. A vontade, o desejo devem ser seus. Não seria isso o tal "livre arbítrio"?
Pessoalmente, acho fraqueza você entregar seu destino nas mãos de Deus. É não usar o potencial que a vida te dá e apenas esperar e absorver.
Eu quero e vou buscar ainda muita coisa para mim. Me vejo ganhando milhares (quiçá milhões) de reais, poliglota, enchendo passaportes, pós graduada, enfim... ambiciono ainda muita coisa para a minha vida. Ok, que na minha idade muita garota já pendurou as chuteiras e só quer saber de criar os próprios filhos em paz.
No meu caso, a maternidade foi a grande responsável por despertá-la. Cada vez que eu penso no tamanho do mundo, de até onde eu e meu filho podemos ir, só consigo imaginar que só eu sou capaz de não deixar que a falta de dinheiro nos restrinja.
Ontem, conversando com um lindo e querido amigo, que me conhece há, pelo menos 10,12 anos, ele dizia que achava exacerbada a minha ambição também. Entre um copo e outro de vinho (ou garrafa) fomos destilando nossos sonhos de consumo e mais uma vez serviu de comparação com "a outra parte do mundo", talvez mais "pé no chão".
Meus sonhos financeiros são o lugar onde eu me permito os devaneios que, maybe, a maioria dos mortais usa para o romance.
Aliás, a perspectiva racional, quase fria que ele tem de romance coincide com a minha e pode ser por isso que nos damos tão bem.
E eu não vejo lado ruim em querer o mundo nas minhas mãos. Não me frusto se não chegar ao topo. Mas sei que morrerrei buscando.
A maioria das pessoas se contentaria com um emprego público, com um salário acima da média, benefícios e certa estabilidade. Para mim, é apenas um trampolim.
Sei que cheguei mais longe dos que as pessoas nascidas no mesmo lugar que eu, da minha idade. Mas eu tenho sede de mais. Honesta e licitamente.
Não me permito e nem tenho a menor intenção de me acomodar. A luta por "mais um pouco" é o que faz eu me sentir com sangue pulsando nas veias. Eu quero, eu posso, eu consigo.
Mesmo sem tempo, eu sonho com os concursos que vou prestar quando terminar essa graduação. Mas que isso, sonho com os salários.
Não pelo que eu poderei gastar "amanhã" mas pela segurança que aplicações, poupança, imóveis,... te dão.
Imagino que parte da "acumulação primitiva" só se deu porque as pessoas pensavam assim (Sim, sim e a Ética Protestante e o "estado de vadiagem").
Me espantava uma jovem amiga dizer que o seu sonho é ser mãe e "do lar". Hoje eu respeito porque já passei da época, da idade de acreditar que a minha maneira de ver é a única certa. Mas ela tem oportunidades aos 20 que a minha estrutura familiar não me permitiam nessa idade e você se visualiza naquela situação.
Aliás, parte desse "respeito" à opinião alheia veio quando eu decidi o que faria da vida. As pessoas me diziam que "Matemática? Você deve estar louca!", "Economia? Isso dá dinheiro?". Foi quando comecei a pensar que até administradores são necessários (I'm sorry. Não podia perder a piada!).
O que seria da minha vida se alguém não tivesse vocação para cozinheiro, faxineiro, cabelereiro, manicure. Comecei a ver isso como a cadeia alimentar (É ando assistindo O Rei Leão demais "Hakuna Matata é lindo dizer" xD). Da mesma forma só há acúmulo para alguns se não houver para outros.
Eu sei que o que e faz acordar todos os dias, fora ver o sorriso do meu pequeno é a certeza de uma evolução pessoal e profissional. Se isso é certo ou errado ou se estou nas devidas proporções, isso eu só saberei no final.

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